GOV'T MULE no Brasil?

Se você é fã de Gov't Mule e deseja vê-los dando uns coices novamente por aqui -a primeira foi em 1996 e eu estava lá-, assine a petição Gov't Mule In Brazil e, quem sabe?, talvez consigamos este tão aguardado retorno.

É PORRRRAAAAAAADDDAAAAAA!!!!

Brava Nação Berlotense, há poucos dias recebi mais uma notificação da DMCA, via Blogger, solicitando-me a retirada de um link para o único álbum da banda Appaloosa, o que, muito a contragosto, fiz apenas para não ver um trabalho de mais de 3 anos ser jogado pelo ralo. Afinal, é uma banda tão conhecida que não precisa ser divulgada, né? Fala sééério! Então, para não deixar órfãos os milhões de fãs da banda espalhados pelo globo terrestre, já tão maltratado mas com bilhões de dólares dispendidos em órgãos inteiros dedicados a combater o inevitável, a estes darei especial atenção. Se alguém da roda estiver interessado em conhecer o belo trabalho desta banda, aconselho antes uma passada por aqui; se o interesse persistir, deixe seu e-mail (não será publicado) na postagem específica que o link lhe será enviado o mais breve possível. Aliás, o mesmo vale para qualquer outro link em que isso ocorra, como o da Plankton, por exemplo. Ou será que isso também é proibido? Cambada de hipócritas.
Aproveitando o gancho, reparei que a equipe do Blogger está mais sofisticada pois agora enviam a mensagem diretamente para o painel do titular e EM PORTUGUÊS (QUASE) PERFEITO!!! Aí, me vem aquela velha perguntinha que teima em não calar: se já existe uma representatividade nacional da empresa, as leis à que esta instituição deve respeito são as do nosso país. Tudo bem, aqui é uma tremenda zona mas nos entendemos ou caimos na porrada, é nossa casa. O que não engulo é deixar gringo cagar suas regras por aqui, meu solo, meu país. É um pedacinho de terra complicado, mas é meu!
Não contentes em burlar a legislação de seu próprio país, a USA*17 U.S.C. 107 exposta em um gadget sempre ao final de nossa página, ainda enviam tentáculos globalizantes através da blogosfera como se este mundo também lhes pertencesse. Minha única forma de resistência é manter o G&B no ar, mas isto em absoluto significa que vou me calar.
E VAMU FAZENDO FUMAÇA!!!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ORANGE SHADING STARLIGHT(2007)

Esses italianos da Wicked Minds estão constantemente me surpreendendo. Como se não bastassem os 3 belos exemplares de hard rock lançados sob a própria égide, ainda desatam a deflagrar projetos paralelos, um deles já publicado aqui. A diferença é que esse foi o primeiro destes projetos e, decididamente, o mais psicodélico em seus 6 temas divididos em 2 partes, 'Red Shades' e 'Orange Starlight', onde a tônica é a perfeita sinergia entre todos os integrantes em longas jams geradas a partir de meros fiapos de temas para lá de lisérgicos. Em alguns momentos, percebe-se até mesmo elementos de post rock misturados a esse enorme cogumelo de zebu. A esta altura, creio eu, muitos aqui já devem estar com a sensação de que a audição deste disco não será das mais fáceis. Bem...aê, varêia...



PS: 1.Aos guitarristas de plantão: altamente recomendado para umas esmerilhadas,
principalmente se tiverem aos seus pés alguns itens básicos como phaser, univibe, reverb, echoplex*, crunch fuzz e até mesmo um toque menos vintage de um whammy;

2.Agradecimentos ao parceiro Fábio Guerreiro pelo caminho das pedras.


*Pode ser substituído por um Boss DD-6, quase que com a mesma excelência de resultados.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

FORA DO EIXO III:DISCUS/Indonésia

Não pensem que essa excelente banda indonésia trata-se de apenas mais um festival de música estranha para gente esquisita. Apesar e por conta da utilização, além da formação clássica de guitarra/baixo/bateria, de algum ferramental típicamente indonésio e da pluralidade de informações que séculos de colonizações das mais variadas certamente agregaram à sua sonoridade, a música da Discus é estranhamente assimilável com muita facilidade, ao menos aos meus ouvidos, mesmo nas passagens musicalmente mais complexas e/ou quando se expressam em sua língua natal. Pouco consegui descobrir acerca de seus 8 integrantes, liderados pelo respeitadíssimo, pelo que apurei, Iwan Hassan (vocais/guitarras/guitarra-harpa de 21 cordas/rindik balinês) e que conta, ainda, com uma gostosíssima cantora/dançarina, Nonnie, e belos fraseados de violino a cargo de Eko Partitur; nem mesmo o porquê do hiato entre seu primeiro trabalho, de 99, e seu último lançamento até o momento, '...Tot Licht!', de 2004. Consta ainda estar na ativa, mas não encontrei vestígios de um novo trabalho a caminho.
Para ser sorvido devidamente enfumaçado. E, por enquanto, that's all, folks!



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

KLAATU/Atualização & Repost

Estou constantemente em busca por material inédito da Klaatu, particularmente uma versão do belíssimo 'Hope' com a íntegra dos arranjos para orquestra -já começo a desconfiar que sua existência seja pura lenda urbana. Com isso, acabei me deparando com um torrent para essa compilação de outtakes, alternative takes e raridades que deliciarão qualquer admirador dos 'fab four' (apesar de contar com apenas 3 integrantes) canadenses. Como se não bastasse, ainda inclui 6 faixas registradas em sua apresentação no Klaatu Kon -convenção de fãs realizada anualmente em Toronto- de 2005.
Se ainda existe alguém que não conheça essa banda, tome por base o inacreditável volume de, efusivos em sua imensa maioria, comentários desde sua primeira postagem no G&B em outubro de 2006, e baixe tudo. Não se deixe enganar pelas aparências dos mancebos, é muito som.



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Segundo Repost
E espero que seja o último. A diferença é que, desta vez, subi novos links para todos os álbuns. Diante da ameaça de alguns visitantes -falaram até em sequestro- não me restou outra alternativa. Mas a verdade que nada mais adequado para homenagear os finados que ressuscitar alguns, mesmo contra seus desígnios. Caraca, isso aqui tá parecendo sinopse de um filme do Wes Craven. De robô, o Klaatu foi promovido a zumbi.
Divirtam-se!!!

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Repost

Diante de apelos desesperados e ameaças de suicídio coletivo, altruísticamente, reupamos o link para o álbum 'Sir Army Suit'. Informamos que os demais links continuam respirando por aparelhos e que manifestaram por escrito o desejo de não serem ressucitados. Esperamos, assim, ter salvo algumas preciosas (e outras nem tanto) vidas.
G&B para o Prêmio Nobel da Babaquice, djá!


A KLAATU, este nome foi extraído do personagem alienígena do clássico sci-fi 'O Dia Em Que A Terra Parou', foi pivô de uma das maiores polêmicas da história do rock. Quando do lançamento em 76 de seu excelente primeiro álbum, '3:47 EST'(ou, simplesmente, 'KLAATU'), devido aos arranjos vocais e estruturas harmônicas e melódicas similares aos BEATLES utilizados em algumas (poucas) canções, criou-se a expectativa de que a banda seria, na verdade, os FAB FOUR retornando sob nova alcunha. Resultado: o disco vendeu muuuiiiiito. A Capitol Records, que os havia lançado sem maiores pretensões, espertamente, resolveu capitalizar mercadologicamente a celeuma e escondeu quaisquer informações sobre seus integrantes evitando, entre outras coisas, aparições públicas e apresentações ao vivo. Resultado: seu segundo, e igualmente maravilhoso (para mim, o melhor), álbum, 'Hope'(77), com colaboração da The London Symphony Orchestra, vendeu ainda mais. Tal mistério somente foi esclarecido quando do lançamento do terceiro, 'Sir Army Suit'(78), em que, finalmente, os canadenses(!!!) Dee Long (vocais, guitarra), John Woloschuck (vocais, baixo e teclados) e Terry Draper (vocais e bateria) deram as caras -são esses 'zé manés' com pinta de Os Pholhas aí de cima.
E, a partir de então, o feitiço virou contra os feiticeiros. Em 80 lançaram 'Endangered Species' que, apesar das concessões, é excelente, não vendeu nada, e a Capitol deu-lhes um grande pé na bunda. Ainda conseguiram lançar, em 81, apenas para o mercado canadense pela Capitol local (vai entender...), um derradeiro e belo suspiro: 'Magenta Lane'.
Lembro-me muito bem de toda esta polêmica pois fui um dos poucos, mesmo sob risco de linchamento, a afirmar categoricamente à época que o KLAATU era apenas uma excelente banda que, como várias outras, amava os BEATLES mais do que os ROLLING STONES. Aliás, é bom frisar, os músicos são magníficos (ah, se Ringo tocasse bateria tão bem) e as canções, os arranjos intrincados e a excelente engenharia sonora tornam toda a sua discografia obrigatória.
Outro fato curioso é que, pesquisando na grande rede, descobri que existe um fanatismo em torno da banda que envolve convenções anuais, com eventuais apresentações da própria banda e de bandas cover, em que são apresentados e negociados memorabilia e sobras de estúdio.
Como será que se denominam seus seguidores? Klaaters, em alusão aos trekkers? Pode até ser.
Só sei que há muito não ouvia estes álbuns -os vendi tempos atrás- mas, depois que os encontrei na rede, me deliciei novamente. São, realmente, maravilhosos.
Deliciem-se vocês também e escolham seu predileto. Se conseguirem.



Hope










segunda-feira, 9 de novembro de 2009

JEFFERSON STARSHIP

O ano é 1974 e os fãs de uma das bandas-símbolo de toda uma era de desbunde turbinado com muito LSD, a Jefferson Airplane, ainda choravam as mágoas em cima dos últimos sulcos de 'Long John Silver', seu canto do cisne, quando o casal Paul Kantner (guitarras/vocais) e Grace Slick (vocais/piano) anuncia o lançamento de 'Dragon Fly', álbum de estréia de um spin-off daquele 'aeroplano' muito apropriadamente denominada Jefferson Starship. Uma evolução? Não, longe disso; apenas um novo e enorme passo na carreira de Kantner, Slick e Marty 'The Voice' Balin, a espinha autoral por trás de ambas as bandas, rumo a uma maior exposição.
Claro que essa nova cara para um ícone da lisergia, onde optaram por privilegiar as canções em detrimento das ousadas viagens musicais de outrora, causou estranheza e mesmo revolta entre os seguidores mais xiitas. Eu mesmo custei a adquiri-lo temendo pelo resultado e só o fiz depois de uma resenha efusiva de Ezequiel 'Zeca Jagger' Neves em um exemplar de 'Rock-A História e a Glória', se meus 2 neurônios não estão de sacanagem com minha cara. E muito tenho a agradecer a essa lenda viva do rock brazuka pois 'Dragon Fly' é um discaço de cabo a rabo. Como se não bastasse a excelente coleção de canções -afinal, um time de compositores como esse facilita muito- ainda tínhamos um line-up de experimentadíssimos músicos -com destaque absoluto para o violino de 'Papa' John Creach e a guitarra matadora de Craig Chaquico, este tornando-se um ídolo para mim à época por ser apenas recém-saído da adolescência e já despejar tanto talento neste disco- oriundos da efervescente cena da bay area de fins dos '60 e que já vinham trabalhando em vários dos projetos de Kantner e Slick, até mesmo no próprio Airplane. De 'Ride The Tiger' (a mais airplaneana com seus vocais em uníssono) a 'Hyperdrive' (linda interpretação de Slick), passando por 'Be Young You' e 'Caroline' (Balin em seu melhor), a bolacha não tem erro. Na verdade, as canções mantinham a mesma estrutura e qualidade de tempos mais psicodélicos, sendo apenas despidos de um excesso de lisergia em seus -perfeitos, por sinal- arranjos.
Com o sucesso, mantido às custas de apresentações tão incendiárias como dantes, a gravação de um novo disco era só questão de tempo e, já no ano seguinte, soltam 'Red Octopus', praticamente uma extensão de 'Dragon Fly' e com a mesma qualidade autoral. Aqui, o destaque fica por conta de 'Fast Buck Freddie', 'Tumblin'' e 'Miracles' com interpretações de Balin muito próximas do sublime, Slick emocionando em 'Al Garimasü' e a obra mais popular do álbum, a instrumental 'Git Fiddler' de 'Papa' John.

'Papa' John Creach(R.I.P.)

A esta altura, a nave estelar já havia vendido mais discos que o aeroplano em toda a sua carreira e as pressões começam a pipocar, fazendo sua primeira baixa, 'Papa' John, que decide seguir carreira solo. Mas 'o mundo gira e A Lusitana roda'*, a voraz indústria musical precisa se alimentar e, assim, o irregular, mas também recheado de excelentes momentos, 'Spitfire' vem à tona. Entre estes momentos estão 'Cruisin'', 'Hot Water' e 'Switchblade'.
Após um período de 2 anos para abastecimento e reparos na estrutura da nave, com Balin aproveitando para tentar uma carreira solo em paralelo, retornam, se não com um grande disco, ao menos com seu maior sucesso comercial. Afinal, em 'Earth' está o arroz de festa de qualquer rádio de poprockcontemporâneoadulto, a deliciosa -mas que enjoou de tanto tocar à época- 'Count On Me'. Mas 'Earth' escondia alguns outros atrativos como 'Love Too Good' e 'Fire'. No entanto, percebia-se que a engrenagem já não funcionava como antes e, com a saída de Balin, Slick e John Barbatta (bateria) logo após o tour de lançamento, o fim parecia inevitável. Será mesmo? Bem, aí é uma outra história e esta vocês nunca conhecerão por mim.

*famoso bordão de propaganda de uma transportadora carioca -A Lusitana- que tornou-se muito popular. Os amigos acima dos 35 anos com certeza se recordarão.











terça-feira, 3 de novembro de 2009

ONE HAND FREE

Já estavam com saudades de uma jam band por aqui, certo? É um gênero difícil, embora eu seja um fã declarado, de encontrar algo que, se não exatamente novo, apresente algum diferencial. Mas prometo redimir-me disponibilizando o que me vem clamando por atenção já há algum tempo e pouco vejo de bobeira por aí. E vamos começar em grande estilo com o peso classudo recheado de sangue southern e muito swing da One Hand Free, combo de New Hampshire formado por Andrew Blowen (vocais/teclados), Josh DiJoseph (guitarras), Geoff Taylor (baixo) e Kelly Bower (bateria/percussão) e responsável por 2 dos mais interessantes trabalhos de estúdio no estilo que ouço nos últimos tempos. Não, não é nada que vá estabelecer novos parâmetros para um gênero que privilegia criatividade e capacidade de improvisação acima de tudo mas que, por vezes, pode soar gessado ou parecer correndo atrás do próprio rabo.
É claro que ícones absolutos como Allman Bros. e Grateful Dead sempre pesarão nos ombros de qualquer banda que se aventure por este perigoso terreno -até porque comumente habitado por músicos de excelência à toda prova- e poucas sabem dosar estes elementos de forma equilibrada. Acho que a One Hand Free o conseguiu de maneira bem satisfatória.
No momento, estão em processo de gravação de um novo trabalho e já até soltaram uma prévia com o single 'Sly' que pode ser baixado aqui.







segunda-feira, 26 de outubro de 2009

DREDG

Como são as coisas, não? Conheci a californiana Dredg há quase 2 anos através da densa trilha sonora de 'Waterborne', um apenas mediano -apesar de algumas premiações por aí- thriller sobre bioterrorismo, mas não corri atrás de nenhuma outra informação ou material por supor tratar-se de um projeto, compositor ou outra coisa qualquer, menos uma banda. No entanto, alguns meses atrás, dei com as fuças em um blog gringo cujo nome me escapa, até porque não é dos que costumo visitar com frequência, com a belíssima capa de 'The Pariah, The Parrot, The Delusion', resenhado de forma entusiástica pelo CEO daquele espaço e anunciado como um tremendo furo de blogagem pois só seria lançado apenas dali uns 15 dias, blábláblá.... E foi das melhores (não tão) novas novidades que ouvi este ano. O interessantíssimo mix indie/prog criado por Gavin Hayes (vocais/lap steel/slide/guitar), Drew Roulette (baixo/teclados), Mark Engles (guitarras) e Dino Campanella (bateria/percussão/pianos/órgãos) me pegou de jeito. Não, não são virtuoses mas mandam muitíssimo bem em seus inúmeros instrumentos e sua música é genuinamente orgânica, sempre se utilizando de equipamento vintage, abolindo quaisquer resquícios de excesso de tecnologia -segundo li, mas não vou colocar minha mão no fogo, nunca utilizam samplers, pro-tools ou qualquer outro subterfúgio para criar seus ruídos e timbres únicos- e fazendo o disco soar de uma honestidade impressionante. A partir de então, saí pesquisando tudo sobre a banda e seus inúmeros projetos multi-mídia e baixando e assistindo tudo que podia e cada vez me admirando mais e mais com o crescimento da banda, daquela criativa rusticidade, mas já demonstrando um requinte melódico invejável, de seus primeiros EPs ainda em '96 à excelente carpintaria e belíssima engenharia musical e de produção deste seu último trabalho. Como se não bastasse, ainda reproduzem no palco de maneira eficientíssima todas as filigranas que um material deste exige. Na minha modestíssima opinião, 'The Pariah, The Parrot, The Delusion' é um grande rival às pretensões de Muse, com seu também magistral 'The Resistance', e The Mars Volta com o perfeitamente conciso 'Octahedron' -duas das bandas mais influentes da atualidade no gênero- a abocanhar o título de melhor do ano na categoria. E sai na frente por conta de, apesar de -como as demais citadas- ter optado por um trabalho mais palatável, terem sido mais parcimoniosos no uso deste tempero e terminando por dar um passo à frente na sua sonoridade.
Aqui, a discog completinha e mais uns brindes desta excelente banda que sabe amalgamar como poucos hoje, entre estes Muse, Porcupine Tree, Radiohead e The Mars Volta, o gancho pop e a liberdade de proposta indie -aqui, à moda My Morning Jacket- com o rebuscamento do progressivo.











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Live


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EP's




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Soundtrack


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Clipes

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

FINALMENTE LIVRE!


STOP THE PRESS!!!

Após uma pendenga de mais de ano com sua, será que podemos chamar assim?, gravadora, gerando com isso fervorosos protestos e indignadas e-petições disputadíssimas, finalmente vê a luz o novo trabalho de minha musa -e de toda a torcida de framengo e curíntia juntas. E como era de se esperar, devido a tudo que já havia lido a respeito, veio arrebentando. Grandes canções registradas com uma arrebatadora crueza e impactante urgência -segundo consta foi quase todo construído em pouco mais de uma semana em jams no estúdio- e que recebeu como resposta por parte dos executivos de sua gravadora apenas indiferença. Pior, adiaram seu lançamento indefinidamente e com requintes de crueldade. E tudo por suas declarações em favor da liberdade de compartilhamento, por sua ousadia em não dar a menor satisfação a esses tubarões a respeito do andamento deste projeto, por seu explícito apoio à candidatura Obama (escreveu e gravou 'Governmentalist' para ser usada na campanha do candidato democrata) e até mesmo por seu charmosíssimo despojamento. Dizem mesmo que implicam com sua preferência por cantar descalça! E, pecado maior, ainda a obrigaram, mesmo sob seus veementes protestos, a duetar com o babaca³ Justin Timberlake em 'Introducing...'. Tudo leva a crer que o que eu temia quando de sua mudança, em 2007, para uma major, infelizmente, se concretizou. Ainda não faço ideia de como ficará sua relação com a indústria musical a partir de agora; só espero que tenha aprendido a lição. Quer outra? Que crie seu selo; cacife, garra, talento e coragem não lhe faltam.
Mas o que interessa mesmo é que temos aqui um trabalho que não apenas continua a partir de onde 'Mind, Body & Soul' parou. Na verdade, em muitos momentos parece se situar em um adorável limbo formado com 'The Soul Sessions'. Ainda bem que o bom senso prevaleceu e um belo disco, feito com tanto carinho e espontaneidade, não se perdeu em uma gaveta de uma mesa de aglomerado com melamina de um qualquer medíocre executivo. E ainda tem participação de Deus, digo, Jeff Beck. Precisa mais?
Mas como nem tudo é perfeito...a capa é de um amadorismo ímpar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

TODOS JÁ POSTARAM MAS EU VOU POSTAR TAMBÉM PORQUE...


...EU GOSTO BAGARAI À BEÇA!!!!




Gallera, estou ralando muito e em várias frentes (não maldem, por favor!) e manter o G&B atualizado com as últimas novíssimas novidades mais recentes está sendo muito difícil, até mesmo porque o período de setembro a dezembro costuma ser extremamente prolífico em lançamentos. Mas como muitos de vocês vêm deixando recados preocupados nos comentários acerca da não postagem de alguns destes finos biscoitos, resolvi-me por fazer uma reparação desta imperdoável negligência -até porque em muitos dos casos, estou entre os mais entusiastas divulgadores de seus trabalhos- em uma só postagem.
Então, se você também é uma pessoa extremamente ocupada e ainda não havia conseguido alguns dos grandes lançamentos do período, esta é sua oportunidade.


Já nasceu cercado de expectativas -afinal, Andrew Stockdale resolveu reformular a banda e este novo trabalho tomou 3 longos anos de gestação- e não só não decepcionou como já tornou-se um clássico para mim; tudo que julgava ser insuperável em seu disco de estréia foi aprimorado neste petardo, em muito graças ao impressionante crescimento de Stockdale como intérprete, músico e compositor e à excelente escolha dos nomes de Ian Peres (baixo/teclados/vocais) e Dave Atkins (bateria/percussão) para formar uma cozinha sólida e criativa a um só tempo, ajudando a diluir com mais fluidez um leque de influências infinitamente superior ao apresentado em seu magnífico cartão de visitas de 2005. Irretocável de ponta a ponta. Mais um belo candidato a melhor do ano. Totalmente excelente demais à beça!


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Esta, e quem me conhece sabe bem disso, está entre minhas bandas prediletas desde aquele Nescafé & Blues Festival de 96. A carreira desta que é considerada a maior expressão, para muitos sinônimo, de jam band é uma das mais belas, honestas e respeitadas de todo o circuito. Não há um só músico no mundo que não vendesse a mãe (calma, Donanna, é só figura de retórica!) para tocar com Haynes, Abts & Co.. No entanto, não posso dizer que tenha me entusiasmado com esse novo trabalho visto que -embora infinitamente superior ao anterior, uma desinteressante brincadeira em clima reggae/dub- desceu-me com a nítida impressão de ser inferior a quaisquer dos demais trabalhos da banda. Mas esses caras estão com muuuiiito crédito na praça e não será um tropecinho ou outro que jogará seu nome no SPC. E sejamos francos: um disco meia-bomba desses caras é melhor que 90% do que rola no mercado.


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Sem dúvida, um projeto ambicioso este. Me parece que a intenção foi fazer um mosaico das influências da banda e dividí-lo em dois discos; no primeiro, a faceta mais rock e que todos conhecemos muito bem, e na sua sequência um trabalho mais voltado às raízes country/folk e rural blues, sempre presentes em seus trabalhos anteriores mas nunca nessa dose. O resultado soou irregular mas se tivesse que destacar o que melhor se saiu em seu propósito, apontaria o segundo, principalmente por conter composições mais bem resolvidas, algumas até bem difíceis de tirar da cabeça. Um mérito que seu disco de 2007 teve de sobra. No entanto, vale também o dito na resenha da Gov'tMule: é melhor que quase tudo que as majors lançam por aí.


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O disco de retorno deste verdadeiro ícone neo-hippie, e considerada por muitos herdeira natural da Grateful Dead, teve como principal propósito privilegiar o lado canção e o fez de maneira genial. E não poderia ser de outra maneira já que, para uma banda que costumava lançar discos de estúdio com uma certa voracidade e ao vivo de maneira quase obsessiva, um hiato de 4 anos com certeza ajuda a acumular muito material, bastando escolher o melhor do farto menu. No entanto, parece que um só disco foi insuficiente para tantas pérolas e resolveram lançar 2 trabalhos com um espaço de, aproximadamente, 30 dias entre eles. O próximo, segundo apurei, está em vias de ser lançado e privilegia o lado mais experimental da banda. Espero disponibilizá-lo em breve por aqui.


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Mais um que vem confirmando todas as expectativas com sobras e uma vez mais com um belo exemplar de roquenrou na veia, agora incorporando alguns novos elementos mas com a cautela de quem sabe que não se deve mexer (demais!) em time que está ganhando. Um daqueles discos para degustar com o volume no talo e quicando pela sala. Precisa mais?


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Sim, mais uma volta por cima deste símbolo maior do southern rock festeiro e, muitas vezes, reacionário. Hoje, do line-up original, sobrou apenas Rossington (e Medlocke, se levarmos em consideração que pilotou as baquetas no primeiro disco e saindo em seguida para criar outro ícone do gênero, a Blackfoot), mas essa não é apenas uma banda, é uma verdadeira nação, uma instituição. Acho que pode-se afirmar que qualquer músico de quaisquer das inúmeras bandas do gênero seria capaz -em um momento de emergência, por exemplo- de assumir um posto e dar conta do recado com um mínimo de competência; afinal, o repertório da banda é um verdadeiro compêndio do southern, cátedra obrigatória em qualquer faculdade do estilo. E este último trabalho, aqui com alguns excelentes bônus, mantém o nível dos demais da banda, apesar da sentida ausência do emblemático boogie piano de Billy Powell.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

BUBBLEGUM

Esta é mais uma daquelas postagens que desejo fazer há um bom tempo e resolvi aproveitar esta semana dedicada aos pimpolhos para concretizá-la; afinal, guloseimas em geral, e gomas de mascar (bubblegum) em particular, são itens inerentes ao universo infantil, certo? De minha parte, devo muito de minha iniciação no rock a este despretensioso substrato do gênero. Mas o que, exatamente, seria o bubblegum? O gênero, segundo consta, começou a tomar forma em meados dos sixties nos EUA devido à necessidade da indústria musical em abocanhar uma fatia de mercado formada por pré-adolescentes e, até mesmo, adolescentes que curtiam o rock enquanto ritmo mas não tinham a menor noção -e também cagavam e andavam para- do caráter rebelde do discurso dos grandes ídolos do gênero à época. A receita era muito simples: uma banda formada, muitas vezes artificialmente, por garotos recém-saídos da puberdade e que soubessem apenas tocar uns poucos acordes (apresentações ao vivo eram raras e na enorme maioria dos casos pouco tocavam nas gravações), canções de apelo fácil, quase pueris, e com refrões pegajosos e muitas vezes valendo-se de termos mais próximos a onomatopéias ('Yummy Yummy Yummy', 'Co-Co', 'Chewy Chewy', 'Chop Chop', 'Hanky Panky' e por aí vai). Para que tudo desse certo e fossem produzidos com a rapidez de uma linha montagem, eram utilizados verdadeiros exércitos de compositores e produtores -alguns tornaram-se célebres como os norte-americanos Kasenetz & Katz, considerados os criadores do gênero, e os ingleses Chinn & Chapman- voltados para este propósito, e o resultado não podia ser outro: o bubblegum explodiu em todo o mundo. Tornou-se um verdadeiro 'chiclete'. Aliás, em uma análise fria, ousaria afirmar, mesmo correndo o risco de uma emboscada na madrugada ao voltar de minhas esbórnias, que o começo de bandas como Who e Kinks foi puro bubblegum. E tanto sucesso acabou por criar uma onda de pastiches do gênero, principalmente devido à indústria de desenhos animados -notadamente, Hannah-Barbera- ter adotado o gênero e o utilizado à exaustão, vide a fake The Archies e sua 'Sugar Sugar', e uma infinidade de bandas do gênero one hit wonders.
Mas não pensem que o gênero não tem admiradores apaixonados. De Ramones, que regravou, entre outros clássicos do gênero, uma excelente e fiel versão de 'Indian Giver' da 1910 Fruitgum Co., Talking Heads, de forma mais anárquica, com '1-2-3 Red Light' da mesma banda e Billy Idol que fez do cover de 'Mony Mony', de Tommy James & The Shondells, um grande sucesso nos 80 a Sex Pistols e Van Halen, a lista é grande.
Aqui, idealizei uma pequena amostragem através de compilações não só, em minha modestíssima opinião, de algumas das bandas mais emblemáticas do gênero mas, também, daquelas com passagens interessantíssimas por esse delicioso e ingênuo universo.

Nessa modesta coletânea editada pela lusa MoviePlay e encontrada com facilidade em qualquer banquinha de saldo, estão os maiores sucessos de 2 de minhas bandas bubblegum prediletas e, não por acaso, ambas do catálogo da Buddah, equivalente para o gênero ao que a Sun significou para o rock'n'roll, a Motown para o soul ou ainda a Chess para o blues. A 1910 Fruitgum Co., liderada pelo guitarrista Frank Jeckell, conseguiu um resultado fantástico, emplacando vários hits; além dos já citados acima, 'Simon Says' e a minha prediletaça desde sempre 'Goody Goody Gumdrops', entre outros. Em 2007 reuniram-se, com apenas Jeckell e Floyd Marcus da formação original, para uma mini turnê.
A Ohio Express é outro belo exemplar do gênero e fruto da conjunção de diversos session men do staff da produtora de Kasenetz & Katz em associação com o vocalista e compositor Joey Levine, um dos mais prolíficos da cena bubblegum americana com sucessos do naipe de 'Yummy Yummy Yummy', 'Down At Lulu's', 'Chewy Chewy', etc. Dizem as más línguas que a banda costumava tocar em, às vezes, 4 palcos em cidades diferentes ao mesmo tempo, mas só uma, obviamente, contava com os vocais anasalados de Levine. Ou então esse Expresso de Ohio era muito veloz mesmo.


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De todas as bandas bubblegum, a Tommy James & The Shondells talvez seja a, digamos assim, mais levada a sério; ou ao menos fez uma força enorme para isso e até chegou a criar, em meio a 'Mony Mony's e 'Hanky Panky's, alguns clássicos fora do estilo como 'Crimson & Clover' -infelizmente, aqui, na versão single, bem reduzida em relação à sua album version-, 'Crystal Blue Persuasion' e 'Sweet Cherry Wine' em albums, 'Crimson & Clover'(68) e 'The Cellophane Symphony'(69), que costumam ser descritos por muitos como discotecas básicas. Foram das bandas mais bem sucedidas, em crítica e público, do gênero. Mais um disquinho da lavra MoviePlay e encontrado nos melhores saldões das piores lojinhas de CD.


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Huuuuuummmm...dessa aí não vou fazer nenhum tipo de comentário mesmo que curto, pois são de conhecimento obrigatório, mesmo que seja para dizer que "ouvi mas achei uma merda". Sim, foram uma banda fake (como muitas), criada em laboratório (como muitas), um dos pastiches do estilo (como muitas) mas, de longe, um ícone não só do bubblegum como do pop de uma maneira geral. Ainda hoje arrastam uma legião de fãs -só em Sampa talvez existam centenas de fãs-clubes- à procura de seus discos, em muito pelo gerenciamento eficiente da carreira por parte de quem mais lucrou com eles -agentes, produtores, gravadora e Hollywood- mas também pela bela quantidade de clássicos -da pena de alguns dos compositores mais caros da época- até hoje frequentando os dials de todo o globo.


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Fique tranquilo, vocês não fumaram um 'do veneno', não tomaram 1/4 de 'purple haze', chá de trombeta está fora de cogitações, nem aquele cogumelo de zebu e muito menos sabe onde fica Jacarepaguá. Esta é, sim, aquela mesma Sweet que viria a tornar-se um dos expoentes do hard glam e formada, em seu line up clássico, por Connolly, Scott, Priest & Tucker a partir do início dos 70. É impossível contar a rica história desta banda em apenas poucas linhas mas vou tentar: era uma vez 2 lobos maus -Nicky Chinn & Mike Chapman - que chamaram uma banda cansada de dar murro em ponta de faca em clubs enfumaçados para, apenas aproveitando o excelente alcance de seu vocalista e substituindo os demais integrantes por músicos contratados por não os julgarem capazes de dar conta do recado em estúdio, dar vazão a uma penca de oportunistas sucessos na linha bubblegum, a esta altura -68/69- já em declínio nos EUA mas ainda rendendo bons frutos na terra da Rainha, talvez mesmo em toda a Europa. E assim tornaram-se um sucesso mundial com canções -todas da lavra Chinn/Chapman e ainda sem o craque Andy Scott nas 6 cordas- como 'Co-Co', 'Funny Funny', 'Chop Chop', 'Wig Wam Bam', etc. Divertidas e servindo a seus propósitos, é verdade, mas a banda estava insatisfeita, não só pelo fato de serem pouco aproveitados em estúdio, apesar da excelência inquestionável como instrumentistas, mas também pelas desumanas restrições contratuais. Com a entrada de Scott, que caiu como uma luva nas pretensões hard da banda, esta insatisfação aumenta e conseguem renegociar o contrato de uma forma que pudessem ter canções de própria lavra editadas como b-sides e produzidas com ampla liberdade criativa. E assim começou uma revolução que os transformou em um grande sucesso pois, embora suas composições fossem ignoradas pelas rádios, eram sempre o tour de force de suas sempre bombásticas apresentações. O resto...bem...o resto é uma outra história


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Bem, esse é o bubblegum, um gênero que rende frutos ainda hoje, seja apenas como influência para o punk pop ou através de bandas que se auto-intitulam seus legítimos representantes. Quanto a estas últimas, confesso não ter subsídios para tecer quaisquer comentários pois nenhum nome me vem à mente. Se alguém souber de alguma coisa, deixe links e/ou informações a respeito nos comentários.

Divirtam-se, crianças!!!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

HAMMER-HAMMER(1970)/G&B Remasters


Já que estamos na semana dedicada às crianças, não poderia deixar de atender a um pedido de meu irmãoSinho Maddy Lee, há mais de 3 meses auto-exilado ainda mais ao norte do hemisfério que dantes. E não há (quase!) nada que esse maluco me peça sorrindo que eu não o faça chorando. Neste caso, na verdade, juntou-se à fome a vontade de comer, já que tenho esse petardo há quase 2 anos no meu HD esperando por uma restauração e posterior postagem por aqui, mas a qualidade da ripagem de vinil me desanimava e tinha esperanças no surgimento de um rip melhor ou até mesmo seu lançamento em cd; tudo de ruim decorrente da má conservação de um acetato se fazia presente, dos estalos em profusão aos sulcos carcomidos, e agravados pela falta de aterramento do toca-discos provocando aquele irritante zumbido quase sub-sônico. Aliás, esse tópico merece um aparte: aos neófitos em ripagem de vinil, informo que TODO E QUALQUER toca-discos deve ser aterrado, seja para apenas ouvir seus LPs favoritos e que nossas crianças costumam olhar com aquela fisionomia do tipo "pra que merda serve isso?" e tentados a brincar de 'disco voador', ou mesmo para extração de seu conteúdo.
Após esse curto mas necessário preâmbulo, vamos ao que realmente interessa: a banda e este seu único disco. A Hammer, formada em '69 por John De Roberts (vocais), Jack O'Brien (guitarras), Norman Landsberg (teclados), Ritchie McBride (baixo) e John Guerin (bateria/percussão) em pleno cenário west coast psych, nasceu com o propósito, ainda começando a ser explorado à época, de levar o jazz para o universo hard rock, mas sem nenhum parentesco com o estilo metais em brasa de Blood, Sweat & Tears, Ides Of March, Chicago e quetais. Talvez, tendendo um pouco mais para Blue Image ou Colosseum(I), mesmo assim sendo muito genérico na colocação. Para viabilizar esse projeto, contaram com o auxílio daquele que, posteriormente, se tornaria um dos produtores mais influentes da região, David Rubinson.
O resultado é um belo exemplar de liberdade criativa. Do hard bop permeado de uma excelente guitarra crunch 'Something Easy', à gismontiana 'Death To A King', a bolacha desce redonda e recheada de excelentes momentos. Seja no exercício heavy 'Hangover Horns' ou na latinidade de 'Tuane', em que sobressaem os scats (aliás, bem comuns durante todo o disco) de De Roberts. E quero ver alguém resistir ao chiclete 'You May Never Wake Up' com seu clima vaudeville nos remetendo diretamente a Weill.
E tudo isto agora de forma audível, ao menos.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DIA DAS CRIANÇAS




CONVERSA ENTRE DUAS CRIANÇAS CONTEMPORÂNEAS


- E aí, véio?
- Beleza, cara?
- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.
- É mermo? Que que foi?
- É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando mó terror, saca?
- Como assim?
- Por exemplo: um dia, antes de dormir, ela veio com um papo muito doido, aê. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar. Mas eu nem sei quem é essa Cuca, pô. Quê que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém? Sou da paz!
- Nunca.
- Pois é... Mas o pior veio depois. O papo foi ficando cada vez mais doido. Ela disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas, tipo, o que meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?
- Hummmmm...Sabe a sua vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma hortinha no fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe não quis dizer que seu pai deu um pulo por lá?
- Sei lá...pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? CARACA! Será que meu pai tem um caso com a vizinha?
- Como assim, véio?
- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!
- Calma, parceiro. Você tá nervoso e não adianta ficar 'viajando'.
- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.
- Tipo o quê?
- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim...do nada. Tremenda maldade, mermão! Vê se isso é coisa que se faça com o bichinho!
- Caramba! Mas por que ela fez isso?
- Pra matar o gato. Pura maldade. Mas parece que o gato não morreu.
- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbadona, cara.
- E sabe a Francisca ali da esquina?
- A Dona Chica? Sei, sim.
- Parece que ela tava junto na hora e não fez porra nenhuma. Só ficou lá, paradona, de bobeirinha, vendo o gato berrar de dor.
- Putz grila!!! Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.
- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me contou isso na boa... e cantando!!! Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E, sei não, eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, sacou? Aí, ela começou a falar que ia chamar um boi com a cara preta pra me levar embora. Siniiiiistro!
- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.
- Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zona, né? Que meu pai sai com a vizinha e tal. Apesar do quê eu acho que ele também leva uns chifres, saca? Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama ele de 'Anjo'. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.
- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.
- É, só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar que a vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Será que só tem louco nessa rua?
- Ih, cara! Mas a vizinha não é sua mãe?
- Putz, é mesmo! Tô fodido de qualquer jeito.
(Anônimo)


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

WICKED MINDS

Não adianta, não consigo deixar um trabalho incompleto! Estava até conseguindo progressos nessa área; afinal, devido às minhas inúmeras atividades, preciso relaxar, desencanar, dar 'doizinho', continuar a gravar minhas composições para um cd em que já estou trabalhando há um bom tempo, desc....é isso: 'desconectar' é a senha! Mas, então, uma postagem como a do Electric Swan bate mais de 300 downs em apenas 3 dias e minha mente começa a fervilhar novamente: "Porra, cara, tu falou tanto da banda de origem daquele projeto e o G&B não tem nada dela disponibilizado??? Assim não pode, assim não dá!!!". Isto posto, não me restou outra alternativa a não ser montar uma postagem totalmente dedicada à Wicked Minds, banda titular de Lucio Callegari (guitarras/vocais), Paolo 'Apollo' Negri (teclados) e Enrico Garilli (baixo/vocais), todos participantes da Electric Swan, que, em se adicionando JC (vocais/guitarra) e Andrea Concarotti (bateria/percussões), chegamos ao seu line-up final.
Originalmente, uma banda thrash metal(!!!), a italiana de Piacenza Wicked Minds sobressai-se no cenário tradicionalmente symphonic prog do rock italiano trazendo em sua bagagem, a partir da entrada crucial de 'Apollo' e seu Hammond B3, o melhor do hard prog setentista, notadamente -a exemplo da sueca Black Bonzo- Deep Purple e Uriah Heep, mas adicionando crueza e peso mais comuns a bandas como Grand Funk Railroad, rasgos de Atomic Rooster e pinceladas de uma psicodelia em tons pastéis, por mais improvável que possa parecer essa mistura.
Infelizmente, somente possuo os álbuns 'From The Purple Skies', lançado em 2004 mas que, na verdade, trata-se do 'Crazy Technicolor Delirium Garden'(2003) na íntegra acrescido da épica 'Return To Uranus' do álbum de mesmo nome de 1998. Fica o apelo para que uma alma caridosa que, porventura, saiba de um link vivo para o 'Live At Burg Herzberg Festival 2006', faça o favor de disponibilizar o caminho das pedras para esse veneno.







Valeu, Anônimo!!!!!